CONVERSAS EM TEMPOS DE GUERRA (2ª. e última parte)
TRISTES TRÓPICOS (2)
AFRÂNIO BRITO DA CUNHA: Gostava que falássemos agora sobre o Prémio Nobel da Economia. Como sabes, esse galardão foi este ano atribuído a três estudiosos da Economia, todos a trabalhar em universidades americanas: Daron Acemoglu (Turquia, 1967), Simon Johnson (Reino Unido, 1963) e James Robinson (EUA, 1960). De acordo com o que diz o jornal Público, o júri destaca o contributo destes autores pelos estudos sobre a relação entre a organização socioeconómica e prosperidade, revelando como é que a criação de instituições influencia a criação da riqueza. Atualmente, os 20% de países mais prósperos são 30 vezes mais ricos do que 20% de países mais pobres. E apesar de os mais pobres estarem em desenvolvimento, esse hiato não está a diminuir. Porquê?
Acemoglu, Johnson e Robinson mostraram que grande parte deste distanciamento se deve a diferenças nas instituições económicas, políticas e sociais (dos diversos países), explica Jan Torrel, membro do júri deste prémio na cerimónia de revelação. Continuando a citar o referido periódico, Acemoglu e Robinson são autores do aclamado Porque Falham as Nações, livro já editado em português. Nele centram-se um conjunto de explicações que partem desta noção abrangente de instituição como “as regras do jogo” que determinam o tipo de incentivo que estrutura as trocas numa sociedade.
O conceito é dividido em 2 tipos: “Instituições extractivas (os riscos de expropriação ou a autocracia) e instituições inclusivas (com direito de propriedade intelectual ou o próprio regime democrático). As segundas contribuem para a prosperidade das nações, ao passo que as primeiras conduzem à pobreza, argumentam. Um ponto muito importante e parafraseando sempre o mesmo jornal: “Não é fácil apresentar provas destes factos, admite a academia sueca. Uma correlação entre as instituições de uma sociedade e a sua prosperidade não significa necessariamente que uma seja causa da outra. Os países ricos diferem dos países pobres em muitos aspectos — e não apenas nas suas instituições - pelo que poderá haver outros razões para a sua prosperidade e para os seus tipos de instituições. Talvez a prosperidade afecte as instituições de uma sociedade e não o contrário. Fim de citação. O que é que pensas do que acabaste de ouvir?
ERNESTO LIMA VITORINO: Penso muita coisa. Mas antes de mais, retive o ponto para o qual chamaste a minha atenção e segundo o qual e cito: Não é fácil apresentar provas destes factos. (...) Os países ricos diferem dos países pobres em muitos aspectos - e não apenas nas suas instituições - pelo que poderá haver outras razões para a sua prosperidade e para os seus tipos de instituições. Talvez a prosperidade afecte as instituições de uma sociedade e não o contrário. Portanto, estamos perante uma teoria e não mais do que uma teoria. Teoria em defesa da qual não é fácil apresentar provas, como reconhece a própria academia sueca. E já que estamos a falar de uma teoria, eu também tenho a minha e é sobre ela que passo agora a pronunciar-me.
Para começar, sugiro-te um exercício de reflexão e peço-te que pegues num planisfério e observes o que se passa entre o Trópico de Câncer e o Trópico de Capricórnio, a zona mais quente do nosso planeta, e não por acaso denominada de Zona Tórrida. O que se passa em tal zona? Simplesmente isto e não é pouco: com as excepções de uma pequena porção do Norte da Austrália e do diminuto e recente Estado de Israel [numa constatação isenta e objectiva, isto é, sem qualquer intuito crítico ou valorativo, pode-se dizer que Israel é um caso à parte tendo em conta, por um lado, os enormes apoios (em tudo) que esse país recebe dos Estados Unidos, dos quais, de resto, acaba por ser na prática o 51º. estado, e, por outro, o facto de os seus habitantes serem basicamente de origem europeia] não há um único país desenvolvido nessa mesma região e são numerosas as nações que ali se encontram e se distribuem por África, Ásia, Américas Central e do Sul, México e o Médio Oriente, além de outras pequenas geografias. Os povos desenvolvidos ou estão a norte do Trópico de Câncer (a esmagadora maioria) ou a sul do Trópico de Capricórnio. Mais: os 38 países que constituem a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) são os mais desenvolvidos do mundo e a grande maioria desses mesmos países situam-se a norte do Trópico de Câncer, ou, com mais precisão, na Europa e na parte setentrional do continente americano. Ora a norte do Trópico de Câncer e a sul do Trópico de Capricórnio ficam as chamadas Zonas Temperadas (temperadas sobretudo em matéria de clima) e não é fortuitamente que surgiram e se localizam ali os países mais desenvolvidos da Terra. O que acontece é que essas zonas, por beneficiarem de climas amenos, ou seja, climas com Invernos longos e Verões curtos e pouco calor, favoreceram no passado, e continuam a favorecer no presente, as condições propícias à reflexão e ao desenvolvimento intelectual e cultural em todos os ramos do conhecimento. Foi assim no campo da Filosofia, da Ciência, da Literatura, da Arte, da Música, do Direito, etc., etc.,. E foi esse desenvolvimento a nível intelectual e cultural (só ocorrido no mundo ocidental) que, logo na segunda metade do século XIX, conduziu grande parte dos países da zona em questão às aplicações práticas principalmente em termos técnicos e levou, por exemplo, a inúmeras invenções de vária ordem e à Revolução Industrial (na Inglaterra) e Agrícola (em toda a Europa), tendo em consequência feito então guindar a produção da riqueza a uma escala nunca antes conhecida na História da Humanidade. Mas o mesmo desenvolvimento no plano intelectual e cultural também levou à criação dos tais institutos (como o Estado de direito, etc.) que, segundo os três laureados com o Nobel da Economia, e erradamente, estão na base do desenvolvimento económico dos países onde esses institutos existem. É o contrário: tais institutos aparecem como consequências do desenvolvimento de um país e não como causas. A este respeito, vejamos o que nos diz David S. Landes na sua obra A Riqueza e a Pobreza das Nações, (Gradiva, 2^. Edição, Outubro de 2001): Um verdadeiro crente na coerência da irrefutabilidade da teoria económica e da cliométrica assinala que o rendimento britânico per capita duplicou entre 1780 e 1860, tendo sextuplicado entre 1860 e 1990, e reconhece que temos aqui mais do que uma simples continuação de tendências mais antigas: “Os primeiros oitenta anos de crescimento foram assaz surpreendentes, mas constituíram um mero prelúdio.” Ao que eu acrescentaria que a Grã-Bretanha foi detentora do mais impressionante desempenho durante todo esse longo período.
A consequência desses avanços foi um crescente hiato entre os países industriais modernos e os retardatários, entre ricos e pobres. Para começar, na Europa: em 1750, a diferença entre o rendimento per capita da Europa ocidental (excluindo a Grã-Bretanha) e da oriental era de cerca de 15%; em 1800, um pouco mais de 20%; em 1860 subira para 64%; na década de 1900 era de quase 80%. A mesma polarização, só que muito mais acentuada, deu-se entre a Europa e os países que mais tarde passarão a ser definidos como o Terceiro Mundo - em parte porque as modernas indústrias fabris engoliram as suas rivais obsoletas, dentro e fora de cada país.
Paradoxo: a Revolução Industrial aproximou mais o mundo, tornou-o mais pequeno e mais homogéneo. Mas a mesma revolução fragmentou o globo ao separar os vencedores e os perdedores. Fim de citação.
Não é difícil concluir, porque está à vista de todos, que os países vencedores são os que se situam acima ou abaixo dos dois citados Trópicos e os perdedores, os que se localizam em particular no interior das mesmas coordenadas. Ou seja, nos trópicos. A este propósito houve quem dissesse o seguinte: Os Verões quentes e longos são bons para a indústria turística, mas maus para o funcionamento do cérebro, sem esquecer que degradam a moral e os costumes. E são grandes verdades. Longuíssimas décadas depois das independências (!) das ex-colónias africanas, das latino-americanas e das asiáticas, verificam-se progressos tímidos, ou mesmo nulos, em termos de desenvolvimento económico, científico e cultural desses novos países. Quase todos eles são países pobres ou subdesenvolvidos e a maior parte sobrevive à custa das ajudas financeiras e em bens alimentares que recebe directamente dos tais países desenvolvidos, situados a norte do Trópico de Câncer, e indirectamente através da ONU e os seus numerosos organismos internacionais e bem assim da União Europeia. Os quais por sua vez, como é evidente e visto que nada produzem, nem possuem dinheiro próprio, vão buscar aos mesmos países desenvolvidos as ajudas (repito: em dinheiro e em bens alimentares) que espalham triunfalmente pelas nações atrasadas do Terceiro Mundo. Tudo isto, num círculo vicioso infernal, sem fim à vista e, para cúmulo, agravado pelos milhentos empregos que a ONU e as suas diversas ramificações distribuem pelos descamisados do Terceiro Mundo, ao ponto de essa organização e os seus apêndices se terem transformado em autênticas agências de emprego ao serviço dos países tropicais. Cabo Verde que o diga. Uma constatação óbvia: os países pobres do Terceiro Mundo são os que menos contribuem para a existência e para o funcionamento da ONU e os seus derivados e, no entanto e paradoxalmente, são os países que mais benesses recebem dessas mesmas entidades internacionais. Cabo Verde que o diga, outra vez. Estejamos atentos: paira um espectro sobre o mundo dos países ricos. E que espectro é esse? É o espectro dos migrantes pobres dos países do Terceiro Mundo. Não nos enganemos: há uma guerra sem quartel e a nível planetário entre os países pobres e os países ricos. É uma guerra cultural, religiosa e material. Os países ricos que se cuidem porque, ao fim e ao cabo, o que está em causa é a sua própria sobrevivência. Os migrantes pobres nada têm a perder a não ser os seus andrajos. É por isso que, com o fito de alcançarem a qualquer preço a Europa, se atiram suicidariamente às águas do Mediterrâneo e do Oceano Atlântico, ou encetam longas e penosas marchas, marchas não poucas vezes mortais (ver BAD HOMBRES, na Netflix), pelas estradas e pelos atalhos menos vigiados mas nem por isso menos perigosos das Américas do Sul, Central e do México, a caminho dos Estados Unidos. Que não haja ilusões: é uma guerra civilizacional entre eles e nós e nós temos tudo a perder se não nos acautelarmos convenientemente. Vão por mim e não deixem de ter em atenção mais esta triste realidade: o número de migrantes, quer legais quer ilegais, dos países atrasados para os países desenvolvidos nunca deixou de crescer nas últimas décadas. A magnitude dessa migração dos países subdesenvolvidos é cada vez mais avassaladora e não se lhe vê qualquer sinal de abrandamento. Que o digam os Estados Unidos e a Europa.
Recuando um pouco, e pegando de novo no desenvolvimento económico dos países do Norte, é preciso ter presentes mais os seguintes pontos essenciais e que se prendem com o capitalismo, essa outra criação revolucionária e extremamente virtuosa do mundo ocidental. O desenvolvimento dos mesmos países do Norte está de forma indissociável ligado ao capitalismo enquanto sistema económico, político, social e cultural. O capitalismo e/ou a sua evolução, por sua vez, têm as suas raízes, entre outras, na ética das religiões protestantes (com origem na Alemanha e rapidamente disseminadas pelos países do centro e do norte da Europa e depois pelos Estados Unidos), facto que o sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) estudou de forma certeira no seu famoso livro, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, publicado pela primeira vez em 1905, e cujo prefácio não me canso de (re)ler, (Coleção Livros Que Mudaram o Mundo - Editorial Presença - 2010). No capítulo concernente a esta obra, a ensaísta alemã Christiane Zschirnt (1960), no seu trabalho LIVROS - TUDO O QUE É PRECISO LER (Casa das Letras, 11.ª Edição, Outubro de 2007), diz o seguinte como início de exposição: O católico vai à igreja; o protestante vai trabalhar. O católico santifica o Domingo; o protestante venera o dia de trabalho. O católico torna-se frade, retira-se para um convento e exercita-se na prática do ascetismo; o protestante converte-se num trabalhador compulsivo, desenvolve a sua carreira e pratica a poupança. Os santos da Igreja Católica vivem no reino dos Céus e intercedem junto de Deus pelos habitantes da Terra; os santos do protestantismo habitam este mundo e fundam empresas multinacionais no decurso de uma geração. Se peca, o católico dispõe da confissão; o protestante tem um montão de dívidas e nenhuma confissão - logo, precisa de trabalhar.
Continuando a sua argumentação, e tendo sempre como pano de fundo o citado ensaio de Max Weber, Christiane vai mais longe ainda: O que tem a ver o capitalismo com o protestantismo? Por que razão, no século XVII, a economia floresceu em dois países protestantes, a Inglaterra e a Holanda? A que se deve que, ao mesmo tempo, se verifique a decadência económica de Espanha, uma potência católica? Porque é que todas as grandes histórias de êxito sobre a conquista de uma enorme fortuna numa só geração — o conto do ajudante de cozinha que lava pratos e chega a ser milionário — provêm do país do puritanismo austero, os Estados Unidos?
Max Weber, o fundador da sociologia moderna, demonstrou na seu ensaio sobre a origem do capitalismo que existe um nexo causal entre o êxito económico e a religião. Afirmou que o profissional moderno é um produto do protestantismo, mais exactamente uma consequência dos ensinamentos do reformador protestante João Calvino.
E diz mais a referida ensaísta, à laia de remate: Weber concluiu que a origem do capitalismo assenta na ética profissional do calvinismo: trabalho contínuo, renúncia ao consumo, comportamento calculado e planificado de antemão, reinvestimento dos lucros na empresa, atitude aberta a qualquer mudança que possa render benefícios. O conjunto destas variáveis tornou possível uma ordem económica capitalista. Uma vez que não precisavam de gastar o seu dinheiro em vistosos vestidos novos e nunca celebravam festas sumptuosas, os puritanos foram os primeiros ricos da história que acumularam capital para investir: em colégios e universidades, mas, sobretudo, em novas tecnologias.
Desta forma, uma convicção religiosa fez nascer o “espírito do capitalismo “, que animou o estabelecimento de manufaturas no século XVIII, de fábricas no século XIX e de conglomerados internacionais no século XX. Este espírito é a essência do empresário moderno, um self-made man (homem que se faz a si próprio) que baseia a sua actuação num constante cálculo racional, que é disciplinado em todas as circunstâncias da vida e que tem uma moral profissional lendária: aplicado, meticuloso, poupado, laborioso, resoluto e discreto - o tipo de homem de negócios estrito, íntegro, de moral sólida e duro como o aço da estirpe de John Davidson Rockefeller ou Henry Ford.
Fim de citação e esta não deixa margem para qualquer dúvida sobre o assunto respeitante aos países desenvolvidos e porque se tornaram desenvolvidos.
Vejamos também o que se passou com a colonização e o que originou o sucesso ou o insucesso dos diversos processos de colonização, matéria que os laureados associaram de igual modo às tais instituições como o Estado de direito, etc. Desde logo, só houve uma colonização bem-sucedida e essa foi a inglesa e apenas em cinco ex-colónias que são hoje os seguintes países independentes: Estados Unidos da América, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Malta. E porquê o sucesso destas cinco ex-colónias e só destas cinco ex-colónias? Primeiro, por razões de ordem geográfica traduzidas na sua localização em Zonas Temperadas do globo, portanto, zonas que não só facilitaram a colonização europeia, mas também contribuíram para a continuação do desenvolvimento intelectual, científico e cultural que essa mesma colonização europeia levou consigo. Ou seja, favoreceram o desenvolvimento económico. Segundo, tratava-se de colónias ricas em recursos naturais que os colonos puritanos (imbuídos da já falada ética protestante) souberam utilizar da forma mais sábia possível. E terceiro, porque os mesmos colonos puritanos dispensaram a bem ou a mal o concurso dos autóctones no processo de desenvolvimento das citadas ex-colónias. São ex-colónias, na actualidade países independentes, onde desde sempre preponderaram os caucasianos ou, se se quiser, os WASP (White, Anglo-Saxon and Protestant) e onde ainda hoje são eles os grupos sociais dominantes em todos os sectores. Nada disto aconteceu com as restantes ex-colónias inglesas, como a Índia, o Paquistão, a Zâmbia, o Quénia, o Uganda, a Nigéria, a Jamaica, etc., que até hoje permaneceram atrasadas. E porquê? Porque essas ex-colónias não só se situa(va)m na Zona Tórrida, quero dizer nos trópicos (com todos os seus rigores malsãos e patentes no prolongado calor extremo, nas múltiplas e arrasadoras doenças endémicas e nas irregularidades meteorológicas como o excesso ou a falta de chuvas, etc.) como também não foi possível aos colonos da mesma Inglaterra afastar a influência perniciosa (sorry, but there’s no other way to put it) dos autóctones no processo de desenvolvimento dessas citadas possessões inglesas. Aliás, o mesmo se verificou com as restantes colonizações a nível global, que é como quem diz, colonizações no geral mal-sucedidas e protagonizadas por Portugal, Espanha, França, Bélgica e Países Baixos. Todas as ex-colónias pertencentes a estes países localizam-se na zona mais quente do planeta, isto é, nos trópicos, e não foi possível arredar os seus autóctones do respectivo processo de desenvolvimento. De resto, estes (muitos deles vivendo ainda hoje em puro regime tribal) mantiveram o seu papel primordial na condução dos mesmos países para além das suas independências (!) e com as nefastas consequências atrás referidas.
AFRÂNIO BRITO DA CUNHA: Para encerrar este tema, que já vai demasiado longo, faço-te a seguinte pergunta: se tivesses que eleger uma única causa do desenvolvimento dos países, em termos gerais e em particular o económico, ou da sua ausência, qual seria a tua escolha?
ERNESTO LIMA VITORINO: Sem qualquer hesitação destacaria o factor geográfico. Foi por onde tudo começou, para o mal e para o bem. No primeiro caso, para o mal, tal factor originou elementos hostis, (e contrários ao desenvolvimento a todos os níveis) como o calor permanente, excessivo e insalubre, as devastadoras doenças endémicas próprias dos trópicos e as irregularidades pluviométricas. Resultado: países pobres e atrasados. No segundo caso, para o bem, mas no pólo oposto, esse mesmo factor gerou a existência de elementos perfeitamente saudáveis (e concordes com o desenvolvimento também em qualquer plano) como invernos frios e prolongados, verões curtos, nenhum tipo de doença endémica e condições meteorológicas regulares sobretudo em termos pluviométricos. Consequência: países ricos e desenvolvidos. Eis tudo.
AFRÂNIO BRITO DA CUNHA: Já que acabámos há pouco de saber os resultados das eleições presidenciais nos Estados Unidos, pergunto-te: como é que comentas a vitória esmagadora de Donald Trump sobre Kamala Harris?
ERNESTO LIMA VITORINO: Para resumir, foi uma retumbante vitória de Donald Trump e do Partido Republicano e uma aparatosa derrota de Kamala Harris e do Partido Democrata. Mas há mais derrotados. Para começar as entidades que realiza(ra)m as sondagens. Estas deram até ao fim um empate técnico entre os dois candidatos, muitas vezes com Kamala Harris à frente, e no fim viu-se o que se viu. Foi um fracasso vergonhoso das sondagens e de quem as fez. Em segundo Iugar, a esquerda americana e a esquerda europeia, mais as suas doutrinas woke, sofreram também uma pesada derrota. Barack e Michelle Obama são outros dos vencidos e o mesmo se passou com inúmeras celebridades americanas, como Oprah Winfrey, Lady Gaga, Bruce Springsteen, Taylor Swift, Beyoncé, Jennifer Lopez e demais figuras públicas que apoiaram Kamala Harris. Por fim, mas não por último, uma enorme quantidade de órgãos de comunicação social do mundo ocidental deve também ser enfileirada no grupo dos derrotados. Numa palavra: Donald Trump venceu e convenceu em todas as frentes e está tudo dito.